
Janeiro é, tradicionalmente, o mês dos recomeços. Fazemos listas, traçamos metas e desejamos saúde. Mas, para famílias que enfrentam o diagnóstico de uma doença grave, crônica ou progressiva, o "ano novo" pode trazer medo e incertezas.
É comum que, ao ouvir o termo cuidados paliativos, pacientes e familiares sintam um frio na espinha. Existe um mito antigo e prejudicial de que "ir para o paliativo" significa que "não há mais nada a fazer" ou que a equipe médica desistiu do paciente.
Neste primeiro artigo do ano, queremos convidar você a olhar para essa abordagem de uma forma diferente. Cuidados paliativos não são sobre a morte. São sobre a vida.
São sobre garantir que, independente do diagnóstico, o paciente tenha dignidade, conforto e motivos para sorrir em 2026.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cuidados paliativos são uma abordagem que melhora a qualidade de vida de pacientes e familiares diante de doenças que ameaçam a continuidade da vida.
A grande diferença é o foco.
Isso significa que o cuidado paliativo pode (e deve!) começar muito antes do estágio final da vida. Ele pode caminhar junto com o tratamento curativo.
Quando a medicina diz que "não há mais cura para a doença", ela não está dizendo que "não há mais tratamento para a pessoa". Pelo contrário, o trabalho se intensifica em três frentes:
Ninguém consegue viver bem sentindo dor, falta de ar ou enjoos constantes. A equipe de cuidados paliativos é especialista em manejo de sintomas. O objetivo é deixar o paciente confortável para que ele possa conversar, se alimentar e interagir com a família. Não sentir dor é um direito humano básico.
Uma doença grave abala as estruturas de qualquer um. O cuidado paliativo oferece suporte psicológico não apenas para o paciente lidar com seus medos e angústias, mas também para a família, que muitas vezes adoece junto com o ente querido.
O paciente não é um prontuário; ele é um pai, uma avó, um professor, um torcedor de futebol. Os cuidados paliativos buscam resgatar quem é essa pessoa. O que ela gosta de comer? Que música ela quer ouvir? Quem ela quer receber de visita? Respeitar esses desejos é devolver a dignidade.
Engana-se quem pensa que paciente paliativo fica apenas deitado. Em uma clínica de transição como a Suntor, a fisioterapia e a terapia ocupacional têm um papel lindo nesse processo.
O objetivo muda: em vez de "ficar forte para correr uma maratona", a meta pode ser "ter força para conseguir sentar na poltrona e receber os netos no domingo" ou "conseguir segurar a colher para comer a sobremesa favorita sozinho".
Essas pequenas vitórias são o que chamamos de vida.
Que neste ano possamos perder o medo de falar sobre conforto e dignidade. Se você ou um familiar enfrenta uma condição complexa, saiba que buscar cuidados paliativos é um ato de amor e de coragem. É a decisão de não deixar que a doença defina todos os dias do ano, mas sim que o cuidado e o afeto sejam os protagonistas.
Na Suntor, nossa equipe multidisciplinar está preparada para acolher, aliviar e cuidar. Porque, enquanto houver vida, há muito o que viver.
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